Ele caminha em paços lentos até a beira do telhado, enquanto pensa em se jogar. Pará e volta atrás, faz uma prece uma única prece. Ele quis um abraço. Um ultimo abraço antes de pular, mas só o que vê e uma plateia lá embaixo, esperando que ele pule.
Ele senta próximo a beira do telhado e Resmunga para si mesmo.
-Quem me vê sentado aqui olhando para baixo nem imagina a situação que me levou a estar aqui. Esse é o problema. Ninguém quer sabe nada, mas ficam la embaixo de prontidão em pé para apontar e julgar. Mas a culpa e minha sabe. Eu senti mais do que podia aguentar.
-Meu Deus, estou farto de me sentir tão pesado, tão vazio, tão inútil, tão estúpido, tão cansado de tanto errar, de tanto sofrer e de tanto me culpar.
Ele volta pra beira do telhado e recua.
-Planejei tudo muito bem. Não pode haver duvidas, não pode ter recusa da minha parte, não tem mas volta, estou pronto pra me atirar. Não posso ter medo, No fundo eu sempre tive medo. Só que dessa vez não posso deixá-lo no controle. Eu não sei voar. Mas tanto faz se eu fechar os olhos bem forte, consigo imaginar que posso.
Seu coração acelera. Seus olhos se contraem. A mão aperta. O corpo transpira.
-Então este é o ponto que minha vida se encontra, em ponto nenhum. Acho que isso aqui e o meu maior momento.
-vamos pernas " Para o alto e avante". Ou seria " Para o alto e pra baixo".
Ele ri de tudo isso, e no mesmo instante sente uma leve brisa bater em seu rosto que começa a esfriar, abre os braços e joga seu corpo pra cima, enquanto ele caia pra baixo ri como se fosse capaz de voar. O vento bater em sua cara, bem rápido. Ele fecha os olhos e tenta ver alguma lembrança, algum momento, entretanto não vê nada, sua vida não passa diante dos seus olhos.
Pablo Roberto