sábado, 21 de setembro de 2013

De olhos vidrados.

Acordei às quatro e meia com dores dos infernos.
encontro-me meio sonolento.
com uma alergia que me ataca o nariz não paro de soltar espirros.
minha cabeça dói feito punhal cravado no peito.
O pior é a ansiedade,que me ataca de hora a hora.
saio da cama lentamente,envolto em um silêncio intocável.
somente até o momento que abro a torneira e o som da água preenche o vazio.
Tudo se mistura e no final das contas falta espaço.
fecho os olhos e contenho um pouco a respiração.
(o cérebro não para)
esfrego os olhos percorrendo um caminho até a boca.
mordo meus lábios que se mantem fechados.
Numa mistura de excitação e angustia dispo-me num ritmo lento.
por um breve momento escuto o bater do meu coração em simetria com minha respiração.
(contenho a respiração novamente) 
meus pés caminham lentamente ate o chuveiro.
Deito a cabeça de baixo dele.a água desce pelo meu corpo.
abraço as pernas e deixo que a água pré-encha o silencio.
sem me mexer fecho os olhos.
O corpo treme meus olhos abrem.
não consigo respirar.
Vai passar.Sempre passa.
Meu corpo não reage.
Tentou mover as pernas e não consigo.
o coração aumenta a pulsação tentando enviar sangue freneticamente para o cérebro.
a ansiedade toma conta do meu corpo todo e do meu cérebro também.
não escuto nem um som além das gotas que caiam do chuveiro.
estou aflito porque não consigo mexer os braços.
 já não tem mas jeito.vou morrer aqui.
.
.
.
a sensação nauseante esta passando.
 as dores foram embora sem aviso..outra vez.
(se bem que nem sei dizer quando começam)
talvez a água tenha levado com ela tudo o que não fazia parte de mim.
estico meus braços ate a parede,onde me apoio e levanto.
Aceno um ultimo adeus a um quase ataque cardíaco em potencial.
Não é de hoje que isso acontece.
mas relevo e seco-me.visto alguns agasalhos.
tenho Fome.tenho Sono.
(digo a mim mesmo)
-vamos Tomar um café?.
-tudo bem
apos saciar-me volto a meu quarto.
olhos pela janela e vejo a escuridão com um céu sem estrelas.
repouso meu corpo enquanto espero a noite morrer lentamente. volto a dormir.


Pablo roberto

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