sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Quando enlouquecer, quando deitar-se ao chão e cravar as unhas na terra, quem saberá?

Ela revira a gaveta e encontra uma folha amassada já bem amarelada e em cada letra um reflexo, em cada reflexo um pouco de si mesma, um pouco daquilo que ela foi. Ela se comove com algumas linhas comparando à sua própria realidade, e lê vem certos pensamentos, de certos momentos, de certos choros, de certos desentendimentos, que a faz querer mudar de vida, renovar seu espírito, esquecer tudo. Mas não sabia por onde começar, até que começou por ignorar o maldito celular que teimava em toca. Olhou a cama recheada com prazeres, sonhos, desejos, planos, vontades, afeto. E em um piscar de olhos, tudo havia desaparecimento.
Ela só queria saber porquê uma garota tão sonhadora como ela tinha se tornar aquilo, olhou para o quarto vazio cerrou os punhos e esmurrou a cama em um cenário que se modificava. Aquela maldita culpa que fazia círculos por todo aquele quarto, foi o necessário para ela pega a mochila e as chaves da casa, bater a porta do apartamento vazio e ir pra rua, na esperança de não volta tão cedo. Foi até a parada e pegou um ônibus, para onde ia não tinha importância, só queria ir pra longe. O ônibus balançava e sua cabeça doía, como sempre dói quando anda de ônibus. La estava ela calada, quieta, sozinha de mãos atadas, não era dor, mas sim ódio, um ódio que mantinha seu coração frenético dentro do peito. Em pânico, desceu do ônibus caminhou ate um prédio em construção. Subiu as escadas até para de pé no limite entre o chão e o terraço, se viu de encontro à vinte e três andares abaixo. Tentou mover as pernas e não conseguiu, sentiu um gosto salgado nos lábios, notou que chovia por suas pálpebras inchadas,
mas logo estas lagrimas foram postas de lado devido ao frio, que a congelou dos pés a cabeça fazendo da sua noite, uma noite ruim. Sua visão foi escurecendo ao mesmo tempo que pensamentos invadiam sua cabeça. A escuridão e as estrelas trouxeram um pouco de alívio. Falso e passageiro. As vozes voltaram a gritar dentro de sua cabeça.
Ela: O que estava acontecendo? O que farei agora? 
Vai lá menina, saia correndo se assim você quiser. Essa noite não foi das melhore, mas todo mundo tem seus dias em que algo sai do eixo.
Ainda em pé na penumbra do terraço. Fechou os olhos respirou fundo e pulou... implorando que o vento a levasse para um lugar melhor. Seja lá onde fosse, que a levasse. A brisa veio forte e gentil.


Pablo Roberto

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